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RELATO DE PARTO - KAMILLE E GIOVANNA

Não poderia relatar o meu parto sem antes relatar o que antecedeu esta gestação...

Fevereiro de 2016. Foi neste mês que eu e o Bruno decidimos parar com o anticoncepcional e deixar a natureza agir. Segundo o meu médico (Dr. 1), eu levaria em torno de seis meses para engravidar, tendo em vista os longos anos de anticoncepcional em tratamento dos ovários micropolicisticos. Ledo engano. Bastaram 15 dias e eis que os sintomas afloraram e descobrimos que tinha neném... Infelizmente a gestação durou somente 10 semanas. No dia 18 de Abril descobrimos a perda gestacional e o nosso mundo caiu. Passei pelo procedimento de retirada (AMIU), pois o bebê já estava sem vida a cerca de 4 semanas e não tinha sinal que o meu corpo iria expelir.

Foi devastador. Antes mesmo de engravidar eu já sabia quem seria a equipe que me assistiria. Assim que descobri a gravidez já fui ao encontro de gestantes e me apaixonei pela doula que passou a me acompanhar. Eu tinha planejado tudo, mas Deus tinha outros planos pra nós. Nosso anjinho se foi e nós ficamos tentando levar a vida e uma frase dita pela Ju Feliciano (Doula) me fez querer viver: “Viva seu luto intensamente, mas lembre-se: A vida se renova!” E se renovou mesmo...

Após a perda, meu médico (Dr. 2) sugeriu que eu retornasse ao anticoncepcional, pra dar tempo do meu organismo se limpar e se fortalecer. Tomei  apenas por um mês e em Junho/2016 Deus renovou a minha vida e pôs uma sementinha de amor em mim. Eis que tudo se fez novo!

Com oito semanas de gestação eu tive um sangramento muito forte, porém sem dores. Corri pro meu médico já prevendo um aborto espontâneo. Após a ultra vimos que eu tive um descolamento por trás do saco gestacional, um hematoma pequeno, mas que requeria repouso absoluto para evitar que aumentasse e descolasse o saco gestacional. Assim foi feito. Um mês e meio de total repouso e tudo ficou bem.

A gestação evoliu perfeitamente, com a graça de Deus. Moro em Cabo Frio e todo mês eu ia à Niterói para as minhas consultas de pré-natal. No início do terceiro trimestre iniciei as consultas também com as enfermeiras obstétricas. Tive uma gestação super saudável! Emagreci 4 quilos (engravidei bem gordinha), pressão normal, glicose também.

Alugamos uma casa em Niterói e “nos mudamos” pra lá assim que completei 38 semanas.

Em uma das consultas com o meu médico, ele disse que só esperaria até 41 semanas, pois daí pra frente não seria seguro. Além do mais, ele viajaria para um congresso no final de semana que eu completaria 40 semanas, e eu ficaria “à mercê de plantonistas”. Isso me desestabilizou, mas Deus é bom o tempo todo e sabe de todas as coisas. Ele já tinha preparado tudo pra nós.

A DPP era 25/03/17, sábado. Minhas expectativas a mil e a ansiedade tomando conta. Fui deitar por  volta de 23 horas um tanto quanto frustrada, pois não apresentei nenhum sinal de proximidade do grande dia. Minha barriga ainda estava alta, tampão intacto, enfim...

Apenas cochilei. Aproximadamente 00:30 h levantei com vontade de faxer xixi e muuuuuita cólica. Voltei a deitar, mas não consegui dormir. 01:30 h de novo! Xixi e muuuuuit dor! Daí pra frente comecei a sentir uma atrás da outra, sem ritmo, mas com intervalos máximos de 10 minutos. Avisamos às enfermeiras e à doula, mas todas disseram que eram só pródromos, que eu tinha que relaxar. Mesmo assim acionamos os amigos/irmãos/compadres e fotógrafos que estavam na nossa casa em Cabo Frio e pedimos pra eles irem pra Niterói ao amanhecer, juntamente com a doula e meu irmão. Chegaram lá por volta das 6 h de domingo (26/03). Nesse momento eu fiquei 40 minutos sem contrair, foi mais um banho de água fria. E se tem uma coisa que é essencial para o desenvolvimento do TP é o emocional. O nosso emocional precisa estar em sintonia com o corpo, senão desanda.

O dia foi passando, os amigos mais chegados que irmãos lá conosco. Um clima muito gostoso e super descontraído. As contrações pouco espaçadas novamente, bem doloridas, mas nada do TP engrenar.

A noite chegou. Ju (doula) acionou a Carol (Enfermeira) que chegou (acho) por volta das 19 horas. Tivemos um momento maravilhoso de massagem com óleos essenciais  feita pela Carol e massagem nos pés feita pela Ju. Músicas escolhidas por mim. Meu marido e minha mãe ali comigo. Foi um momento tão lindo que foi como sentir o abraço de Deus.

Meu irmão precisava voltar pra CF, pois iria trabalhar no dia seguinte. A doula estava com os dois filhos pequeninos esperando por ela e também precisava ir em casa. Ambos foram embora por volta das 22 horas. Carol sugeriu que eu tomasse um banho e tentasse dormir um pouco. Assim eu fiz, tomei meu banho quentinho, tomei meu chá de todas as noites e deitei com o meu marido. Foi deitar e levantar com uma contração que eu não tinha sentido antes. Daí em diante eu não sei mais relatar ao certo o tempo entre elas, nem a intensidade. 22:30 h eu efetivamente entrei em trabalho de parto. Pedi pra encherem a piscina. Tudo o que eu queria era a água mais quente possível caindo na minha lombar. Enquanto isso eu ia procurando posição pra ficar. Bruno (marido) sempre do meu lado, me sustentando em cada contração. Sobrou até pro Yann (compadre e fotógrafo) em uma das contrações! Rs

Enfim, entrei na piscina. Enchiam baldes e baldes e deixavam aquela água recém fervida caindo deliciosamente em mim. E dá-lhe contrações. Meriene (a outra enfermeira obstétrica) chegou, mas não me recordo o horário. Mamãe sentada do lado de fora da piscina também me sustentava nas contrações e ainda fazia massagem nas costas entre elas. Meu marido comigo a todo instante, segurando minha mão (e até apertando um pouquinho) quando as contrações vinham. Rs. Ele não me deixou e apostou em mim! Sempre que uma contração chegava ele me lembrava de respirar corretamente e dizia: “tá passando, já tá acabando” e isso renovava as minhas forças. As enfermeiras mais lindas que já conheci me acalmavam quando eu achava que não ia aguentar, massageavam minha lombar e me diziam que estava tudo bem com a minha pimpolha. Aferiam a minha pressão e auscutavam os batimentos dela frequentemente. Os fotógrafos pareciam estar ali, não fotografando, mas sim vivendo o momento conosco, e realmente estavam. Jê (fotógrafa) me olhava nos olhos, como quem dizia “tá tudo fluindo bem” e aí me dava paz. Em um determinado momento, ainda na piscina, a bolsa estourou. Confesso que fiquei meio triste, porque sonhava com um bebê empelicado, mas não deixei isso me abalar. Depois que a bolsa rompeu, eu comecei a fazer mais forças nas contrações, mas era em vão. Não era o meu corpo pedindo, não era o momento. Voltei a concentrar na minha respiração pra conseguir suportar as dores e, sem dúvidas, isso ajuda muito!

Cansei da piscina, logo eu que idealizava um parto na água, rs! Ficava rodando dentro dela, mas já não tinha posição que fosse confortável, então saí e sentei na beirada da cama, com Bruno atrás de mim me sustentando. Também não gostei daquilo. Pedi pra ir pro chuveiro.

Entrei sozinha. Lá eu permiti que aquela água que caía me limpasse do cansaço, do medo, da incerteza. Eu não achava que conseguiria. Pedi toque, pedi pra enfiarem a mão e puxar (a gente meio que surta! Rsrsrs), pedi pra me levarem pro hospital e tudo o que eu ouvia era: “Calma, você tá indo muito bem! Coloca a mão, sente o cabelinho dela!” Ah, aquilo foi uma injeção de força, poder, certeza e garra! Ela tava quase chegando! Eu agachava e me apoiava num banquinho que colocaram ali pra mim. Depois mamãe entrou no chuveiro comigo e me sustentou enquanto eu fazia força, mas eu sabia que ela não aguentaria todo meu peso mais a força que eu fazia e aí ela trocou com Bruno. Tadinho, ele já não tinha coluna, mas permaneceu ali comigo.

E foi ali, naquele box, com um pé no banquinho e o outro no chão, que eu me “animalizei”. Foi ali que minha pimpolha coroou, foi ali que eu conheci o tão famoso círculo de fogo, foi ali que ela chegou, foi ali que eu renasci, às 06:28 h do dia 27/03/2017.

Saímos do banheiro para o quarto e aquele sentimento impagável de dever cumprido somado à sensação única da primeira mamada da minha filha tomaram conta de mim! Ah, e a dor?! Já não lembrava mais...Daí pra frente eu me descobri muito mais forte do que um dia imaginei que eu pudesse ser. Depois de 22 horas de pródromos intensos e pouco espaçados mais 8 horas de trabalho de parto e aproximadamente 48 horas acordada, precisei usar toda aquela força e fé que eu ainda tinha. Achei que o pior já tivesse passado, mas não... Minha placenta não “nasceu” sozinha. A Meriene e a Carol já tinham tentado massagem, ocitocina, e nada. E eu que queria taaaanto a foto da minha pequena ligada à placenta, já não aguentava mais aquela tensão. Pedi ao Bruno para que ele cortasse logo o cordão e assim foi feito. As EOs fizeram todos os procedimentos com a Gio ali em cima de mim. Dali ela foi direto pro colinho da vovó que a arrumou com todo amor do mundo, e  eu continuei no meu “trabalho de parto”. Fiz toda a força possível, fiquei em pé, sentada, agachada, e nada. Eu não queria ir para o hospital, então elas fizeram o que era necessário. Da parte delas, que respeito! Que profissionalismo! Que carinho! Da minha parte, queeeee doooor! Muito pior que todas as contrações juntas, mas deu tudo certo! Elas cuidaram de mim da melhor forma possível e, apesar de toda a dor, ainda que eu soubesse que passaria por esse pequeno problema, eu optaria por viver tudo novamente!

Dia 27 de Março de 2017: Meu sonho realizado! Apenas amor e gratidão por cada pessoa que passou por nossas vidas nesse TP.

Agradeço a Deus pelo dom de gerar outra vida; ao meu marido e à minha mãe por confiarem em mim e não me deixarem nunca; à minha família (os de sangue e os amigos que se tornaram família) por todo o apoio, ao meu médico por um pré-natal impecável; à Equipe Sifrá Parteria pelo cuidado que TODAS tiveram conosco e pela paciência comigo, rs; e à Ju Feliciano pela “doulagem” que começou na minha perda.

Vocês foram escolhidas (os) por Deus para estarem comigo!

Tudo de bom e muito amor SEMPRE! <3

Família Dias.