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RELATO DE PARTO - AMANDA E MAYA

Hoje faz um mês que nossa florzinha chegou para alegrar nossa casa e para comemorar, finalmente, conseguir fazer meu relato de parto!

Obrigada Lays Gabrielle, Sifrá Parteria Carolina Costa Pacheco Meriene Gomes Michelle Wanis Vinicius Sertã Cida Wanis Danielle Bellas Fernanda Meira Luiza Zelesco 

 

No dia 30 de julho antes de dormir, eu, vinicius e Henri, contávamos histórias e cantávamos músicas como de costume e, naquele dia, pedi a Henri que conversasse com a irmã, que disse a ela “vem maya, é só escorregar” e cantamos a música da “canoa virou” ou do “peixinho” como chama Henri. Alguns minutos depois,  senti a Maya se mexer como nunca, tão intento que não podia sentar ou deitar... fiquei ali de pé esperando ela se acomodar... finalmente quando passou resolvi deitar para dormir... e então comecei a sentir algumas contrações, demorei alguns instantes para perceber que estavam vindo algumas... então resolvi começar a marcar... nesse meio tempo falo com minha doula, Lays, e ela pede que eu meça por mais 1h ... e assim fiz por mais 1h30 e as contrações ficavam mais fortinhas a cada vez... mas nada demais... até que fiquei insegura e pedi a Lays e a minha mãe que viessem... precisava  de uma pessoa fora de mim (rs) para atestar o que eu estava sentindo... seria real? Eu realmente iria entrar em trabalho de parto? Esse era um dos meus “medos” durante a gestação... 

Por volta das 2h do dia 31 de julho ambas chegaram a minha casa... conversamos um pouco, para minha tranquilidade Lays tomou o controle das marcações das contrações, Vini e Henri dormiam no quarto... nós 3 na cozinha, conversamos, comemos, fizemos escalda pés...

Por volta das 5h, Jemima, uma das enfermeiras da Sifrá (equipe que contratei para o parto domiciliar, que já me acompanhavam desde a 27 semana) chegou a minha casa para ver como tudo caminhava e me disse “Amanda, estamos em pródromos ainda, tente descansar, tente dormir, eu vou embora agora para não te criar expectativas, mas estaremos próximas e em algumas horas outra enfermeira voltaria para uma outra avaliação”. Assim eu tentei fazer...rs... mas as contrações vinham de 7,6,5 min... então eu dormia nesses intervalos e acordava com elas... o dia foi passando e aos pouquinhos as contrações ficavam mais fortinhas, vinha a vontade de vocalizar e aos poucos eu ia lembrando de todos os conselhos que me deram nas rodas de conversa, e toda a preparação que fizemos eu e lays nas aulas de dança materna para gestante e nas nossas conversas... incrível como essas coisas só tomam sentido quando você embarca na experiência do parto... e como conselhos a princípio bobos se tornam fundamentais no processo.

Como toda boa gestante em processo de parto, algumas partes não me lembro, ou não me lembro bem o momento... enfim... por volta das 11h minha prima Michelle fotografa chegou... eu já estava vocalizando e me centralizando, me concentrando, me interiorizando... crente que o processo já havia começado, então chega a enfermeira carol e me diz “ calma, Amanda, guarde suas energias, ainda estamos em pródromos, tenta descansar... e vida normal, vamos comer, vamos ver tv...etc” Ali eu pensei, PQP, PRODROMOS? 12h depois e ainda pródromos? Como vida normal? Dói sabia? Não vou aguentar, se isso são pródromos... acho melhor desistir... mas então pensei... o circo já tá armado... se eu tiver que ir para um hospital eu irei, se eu tiver que fazer uma Cesária eu farei... então vou aqui aguentar até onde conseguir e seja o que deus quiser... o importante é que estou cercada de pessoas que estão cuidando de mim, então não preciso me preocupar. Por fora eu só balançava a cabeça para ela como quem concordava...rs

Assim descemos, comemos, conversamos, e resolvi subir para descansar... nesse momento eu já não tolerava ficar sentada ou deitada durante as contrações... então ficava recostada para dar tempo de levantar antes da contração chegar... como ela vem em onda... a gente sabe bem quando ela tá chegando... e eu pensava “ se mantém em movimento Amanda, se mantém em movimento” quando eu conseguia levantar a tempo e me manter em movimento, a dor era bem mais tranquila, mas quando não, eu simplesmente travava e precisava esperar que ela passasse... fiquei bastante tempo de cócoras apoiada na cama... ali eu conseguia descansar e ao mesmo tempo levantar rápido quando chegava a contração... as contrações eram mais doloridas quando a Maya se mexia ao mesmo tempo...e toma-lhe bolinhas de homeopatia a cada contração...

Já não tenho mais clareza da ordem das coisas, mas sei que dançamos, Lays e eu, como fazíamos na aula de dança, teve um momento em que a Lays fez uma manobra com o rebozo que eu senti claramente a Maya descer... lembro de um outro momento, já chorando, de falar para Lays e Carol, “eu só quero pegar minha filha no colo” (Lê-se, não sei como ela vai sair... mas eu quero ela no meu colo, me ajudem!). 

Nesse emaranhado de memórias 3 foram fundamentais para mim... uma delas quando a Carol veio auscultar a Maya e eu percebi que ausculta estava bem, mas bem mais baixa que da ultima vez... outra delas foi quando, ainda a Carol, virou para mim e disse “ calma, Amanda, ainda são pródromos, ela pode nascer hoje, como pode ser amanhã”... então eu disse a ela, “Não! Será hoje, você sonhou, será hoje” (A Carol tem acertado as datas dos partos das pacientes dela, rs, e naquela semana ela havia sonhado com meu parto...que seria num dia de semana e estaria ela e a Meriene)... naquele momento eu pensei, que se danem esses pródromos... a ausculta está baixando, estamos evoluindo e ela vai nascer hoje! Ali eu entrei para nosso mundo particular, meu e da Maya... e já não sei dizer muito o que aconteceu, sei que larguei de mão tudo que eu sabia sobre trabalho de parto, já não quis mais racionalizar as fases do parto... e percebi que Lays e Carol concordavam com essa postura pois também já não me diziam muita coisa sobre a evolução... esse “silêncio” foi muito importante para mim...

Num dado momento, ainda na bola, sei que adormeci... quase cai...rs..., lembro da Lays segurar a bola para eu não dar de cara no chão...rs... um tempo depois eu me senti úmida e disse, preciso fazer xixi... e quando fui ao banheiro, lá estava, meu tampão, para não deixar dúvidas... nossa, quanto animo me deu aquela gosma avermelhada, rs... um pouco depois eu pensei, preciso ir para o chuveiro... e quando cheguei lá pensei... EU NUNCA MAIS VOU SAIR DAQUI, NUNCA MAIS! E ali fiquei, segundo Lays, rs, umas 2h... nesse momento eu já gritava bem... mas ainda calma...rs. Um tempo depois, alguém se compadeceu de mim e trouxe a bola de pilates para o chuveiro, então pude sentar, pois estava sem coragem de sentar ou ajoelhar no chão e não dar tempo de levantar... ali eu já dizia “vem, Maya, escorrega, como num escorrega, mas de cabeça, vem Maya”. Lembro do Henri pedir para entrar no banho, e eu disse vem, mas por qualquer motivo ele desistiu... seria pelos meus gritos? Não sei dizer...Lembro de sentir um liquido transparente viscoso, acho que ali a bolsa estourara...

Em um momento eu disse, será que não podemos ir para a piscina... ouvia Henri pedir para entrar na piscina, então pensei... acho que já é hora dele poder entrar né... e então vini começou a encher a banheira... que demoraria séculos para mim, pois a pressão de agua da nossa casa não é lá essas coisas... Então finalmente chegamos na piscina... que alívio dos deuses... lembro que sem algumas coisas eu não teria sobrevivido... uma delas a pressão que Lays ou Vini faziam no meu quadril na hora da contração... outra foi o chuveiro... outra foi a piscina... ali eu relaxei tanto que fiquei como medo do processo para lembro de perguntar qualquer coisa desse tipo a Lays, não lembro a resposta, mas resolvi voltar a posição de cócoras pois havia funcionado até ali... Lembro de perguntar a Carol “ ainda estamos dilatando, né, porque não sinto vontade de empurrar nada” (tadinha de mim, inocente, achando que eu iria empurrar alguma coisa...rs) e ela disse “ fique tranquila, você vai saber quando” (e como...rs).

Nesse momento as contrações se intensificaram muito, eu já gritava muito mesmo... sentia um esgarçamento de osso na altura da lombar muito forte... só suportei porque vinha uma pessoa com gelo e outra com água quente ao mesmo tempo... quando a contração anunciava chegar eu já pensava “cadê meu gelo?”... Nesse momento outras duas coisas foram fundamentais... a Lays fazia alguma coisa na minha testa entre meus olhos, aquilo incrivelmente me dava um alivio absurdo (depois ela me explicou que ela só passava o dedo para tirar a minha tensão... e eu achando que era macumba da braba ...rs) e a Carol sussurrava no meu ouvido “calma, olha seu corpo, veja, já ta passando, olha seu corpo”.

Lembro que Henri tava fazendo a festa na banheira e tocando na minha barriga, podiam fazer tudo comigo menos tocar na minha barriga, então eu pedi, ‘alguém não deixa ele tocar na barriga, ele tá tocando na barriga...’ lembro vagamente dele gritando como eu... (nós já havíamos dito a ele que mamãe gritaria como um T-rex, e se ele ajudaria a mamãe a gritar...). Em um dado momento Vini abaixou para falar comigo e eu disse “entra, entra na piscina agora!” e ele entrou de roupa e tudo para me ajudar a me apoiar de cócoras. Ali sim, ali eu pensei “quem inventou essa merda”, “um monte de gente nessa sala e ninguém tem a decência de me ajudar”, e falei “alguém me ajuda, me ajuda” e só dizia “MEU DEUS, MEU DEUS”... e ouvi minha mãe dizer ele está aqui... e eu pensei “ mas não tá fazendo nada”... e revezava ora “meu deus”, “me ajuda”, “escorrega Maya, escorrega”... perguntei a Lays “como você conseguiu Lays, como?” Mas ao mesmo tempo pensei... agora não tem mais volta... fudeu... e então eu me vi em um túnel meio bege, meio marrom... e bateu aquele desespero, “não vou dar conta do que tá vindo” (você sente que tá vindo mais não sabe direito o que é... sabe que é forte e que vai te trucidar...) “eu não tenho essa força, vai acabar comigo”... e logo em seguida eu descobri a maravilha da natureza... a FORÇA NÃO É MINHA, eu não preciso fazer nada... apenas confiar no meu corpo e deixar ele agir... e lembrei dos diversos conselhos “aceitação, aceitação”... ali os gritos já se tornaram uivos, vindo de um lugar que não sei bem de onde... 

Comecei a sentir minha perna dormente e disse “preciso mudar de posição”, mas não sabia para qual pois havia tentado ficar “sentada” mas doía demais as costas... então vini me ajudou e me virei novamente... naquela hora senti que vinha e vinha com força... então gritei o “caralho” mais bem gritado da minha vida (segundo minha prima Michelle ela nunca mais vai lembrar dessa palavra sem lembrar de mim...rs) mas não sei porque achei que a Maya estava voltando... doido... e disse, “não volta não filha, não volta não....” nesse meio tempo Lays tentou me mostrar no espelho, como eu havia desejado, mas eu estava durante todo o processo de olhos fechados... me concentrando mesmo... e abrir os olhos para ver no espelho seria com sansão perdendo sua cabeleira... então veio outra e eu pensei “ mais uma dessa eu morro, tem que ser agora...” e ai fiz a maior força de todas e a cabeça dela saiu... e eu gritei “ alguém segura, vai cair...” depois “alguém puxa, tira, tira dai...” então alguém diz “calma, espera a próxima contração...” respirei fundo e pensei “verdade, espera” e aquela contração demorou muito tempo... uma infinidade para mim... sentia a Maya tentando fazer o giro e voltando... foi quando a Meriene ajudou ela a fazer o giro... veio nova contração e ela nasceu! Às 20h09 do dia 31 de julho de 2018, com 46 cm e 2.980kg. Foi tudo tão rápido que não consegui racionalizar o tal circulo de fogo... mas a partolândia... rs... essa chega a ser engraçada a pesar da dor... você fala tudo sem filtro... parece que está meio bêbada..rs

E como num estalar de dedos eu já não sentia mais nada, apenas a emoção de tê-la em meus braços... ou quase isso, pois meu curto cordão umbilical dificultou um pouco as coisas... E ali contemplamos o maior milagre da vida, cantamos, ela mamou, Henri curtiu a irmã... foi lindo, mágico, uma sensação de poder que só pode ser divino e de nenhum outro lugar!

 

Depois disso veio a placenta, ah a placenta... as contrações pararam e nada da placenta... sentei na banqueta e nada... fomos para a cama e quando a Maya deu a primeira sugada no meu peito, incrivelmente a contração se deu no mesmíssimo instante... mágica? Não, natureza! A placenta ainda ficou presa por uma parte e depois de uma massagem saiu toda... 1h depois... acho que demorou mais o parto da placenta que da Maya..rs... Tive laceração grau 1, sem necessidade de pontos (cicatrizou em 1 semana mais ou menos). Depois dali foi só curtição... (exceto pelo pseudo desmaio após o banho, mas tudo de boa... só fraqueza após o maior esforço da minha vida). Henri pesou a irmã, ajudou a cortar o cordão, ganhou até presente dela... colocamos a roupa dela, rimos muito da minha partolândia e soube que teve até quem bebesse p “xixi” da criança, né Vinicius e Carol!

Ao fim dessa experiencia, desejo que toda mulher tenha por direito um parto respeitoso como o meu... seja uma cesariana, seja um parto hospitalar, seja um parto domiciliar... o corpo é nosso, a decisão é nossa!

Eternamente grata a minha doula e amiga Lays, sem você eu não teria conseguido... sem sua entrega nesse processo que durou 21 horas, a equipe Sifrá que esteve ao meu lado em todos os momentos, sempre me incentivando e garantindo minha tranquilidade, ao meu marido pela força tanto na decisão do PD quanto nos momentos decisivos do parto, a minha mãe pelo eterno companheirismo, por ter me ensinado a essência do que é ser mãe, ao meu filho, minha motivação maior para esse parto, a minha prima Michelle, por mais uma vez embarcar na minha onda e eternizar esses momentos maravilhosos, a Luiza Zelesco pelas maravilhosas rodas de conversa do Isthar e todas as colegas que me deram dicas preciosas, a minha amiga Fernanda Meira por toda a preparação no pilates e a minha amiga Dani Bellas por me ajudar a entender que eu poderia ter o parto que desejei e me ajudar a manifestá-lo através do thetaHealing... e foi exatamente o que eu tive... um parto respeitoso, quase uma festa, muita alegria ao meu redor, que não durasse pouco, mas que também não fosse sofrido... que a bolsa não estourasse precocemente e que eu pudesse sentir toda a potência do meu corpo!

Apaixonada por essa experiência... no dia seguinte já queria voltar e viver tudo de novo... hoje eu entendo as mulheres que dizem: eu pariria mais mil vezes!